domingo, 16 de outubro de 2022

Quill, O Exterminador de Demônios - Um começo bom começo, mas com algumas ressalvas


Antes de mais nada, apenas permitam-me dizer uma coisa. COMO É BOM ESTAR DE VOLTA!

Realmente, após meses sem ter tempo para consumir nada que fosse relacionado ao mundo da espada e feitiçaria, ter a oportunidade de apreciar uma boa HQ do gênero é um luxo e um prazer que senti muita falta.
Estou feliz que meu retorno ao Masmorra tenha sido para falar dessa HQ nacional, escrita pelo grande Carlos Rocha (que já cedeu uma entrevista aqui pro blog), acompanhado pelo igualmente talentoso Fabrício Santos.

Depois de uma campanha bem-sucedida no Catarse, a HQ foi entregue aos apoiadores com presteza e esmero. E apesar de um pequeno erro na impressão do encadernado, onde uma página extra teve de ser incluída, isso em nada afetou na apresentação da HQ.

Mas vamos ao que interessa, afinal de contas Quill é uma boa publicação?
Em uma resposta curta, sim, mas se me permitirem elaborar melhor, a resposta seria algo nos entornos de “sim, mas com várias ressalvas”.
Portanto, começarei discriminando o que vi como problemas em Quill. Mas já deixo claro de uma vez, que gostei bastante do que foi entregue e posso fazer sua recomendação sem medo aos amigos que partilham dos mesmos interesses no mundo fantástico.

Em primeiro lugar, o grande chamariz de toda HQ é a sua arte e a caneta do Sr. Fabrício Santos fez alguns dos melhores desenhos que já vi em uma publicação nacional.
No entanto, justamente pela arte chamar tanta atenção, é aí que mora o perigo, pois, apesar dos ótimos traços, a arte final carece de sombras e contrastes mais acentuados. E isso às vezes acaba por tornar os desenhos um pouco difíceis de discernir em meio a imensa riqueza de detalhes.
Ainda apontando o fato de que as artes foram claramente feitas em um tablet de desenho, o que não é nenhum problema, no entanto, em alguns quadros fica evidente que a arte foi encolhida para caber em um painel que não ocupa nem um quinto da página, o que compromete severamente a integridade das ilustrações.

Outro fator que me fez coçar a cabeça em alguns momentos foi o roteiro. Que não é ruim, de forma alguma, já faço questão de frisar.
Mas o mundo criado pelo Sr. Carlos Rocha é IMENSO, e condensar isso em uma HQ de 70 páginas é uma tarefa hercúlea.
Li a HQ três vezes nos últimos dias, só para me certificar de que não deixei nada passar, mas, ainda assim, acabo por sair com perguntas na minha cabeça que, por ora, continuarão sem resposta.
Tudo acontece muito rápido e às vezes sem uma explicação mais elaborada do porquê, o que acaba sendo uma sobrecarga de informação para o leitor. Por exemplo, durante a estória temos três saltos consideráveis no tempo, sendo que, simultaneamente, há uma sensação de urgência constante na história. Isso foi algo que me incomodou bastante.

Minha última ressalva é a seguinte: acredito que a inclusão de um prólogo que estabelecesse melhor todo o mundo e a estória de Quill seria uma adição valiosa para a obra, pois, em seu estado atual, a HQ ainda demanda a atenção incondicional do leitor para que nada fique no ar (e ainda assim, algumas coisas ficarão).

Essas são minhas observações quanto à Quil, e espero que as ocasionais edições futuras considerem essas pequenas, porém construtivas, críticas que fiz. Agora, vamos falar sobre o que há de bom nessa HQ.

Mais uma vez, quero expressar minha apreciação pela arte aqui. Muitos dos personagens são interessantes de se ver nas páginas e incrivelmente expressivos. O destaque sendo para os anões.
Cacetada, como eu gostei dos anões aqui!

Outro ponto digno de nota é a riqueza de detalhes no world building. O mundo é extremamente complexo e vivo. Há tensão entre todas as raças que nele habitam e esse senso de desconfiança e de amargura está muito bem representado no protagonista.
Mesmo com a plot que às vezes pode ser um pouco confusa devido aos detalhes que citei anteriormente, o mundo aqui ainda é plenamente imersivo e envolvente.

A única coisa com a qual posso comparar Quill é, obviamente, Dragonero, que é muito provavelmente, uma das minhas publicações favoritas em termos de HQ de fantasia.
Muitas vezes, quando se trata de HQs nacionais, existe uma preocupação muito atenuada em fazer algum tipo de comentário social ou cultural. E como eu fico feliz de Quill passar bem longe disso!
Pois o mundo de Quill é visceral e violento, rico em intriga e criaturas nefastas e fantásticas. Ou seja, um prato cheio para quem gosta de alta fantasia ou espada & feitiçaria!

Concluindo, Quill tem alguns tropeços em sua primeira edição, sim. Mas consegui me divertir e, mais importante ainda, fui cativado e me mantive curioso sobre o desenvolvimento da trama.
Uma boa HQ nacional como não se via há algum tempo, sem dúvida!

Curtiu?
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quinta-feira, 13 de outubro de 2022

A VOLTA DAQUELE QUE NÃO FOI!

Salve, salve aventureiros!

Primeiramente, eu gostaria de me desculpar pela ausência, mas 2022 tem se provado um ano cheio de altos e baixos (com muitos mais baixos do que eu gostaria) e isso me forçou a relocar minhas atenções às responsabilidades mais urgentes do que meus hobbies e isso incluiu o blog, infelizmente.

Mas agora estou de volta e mesmo que a priori eu ainda não disponha de tanto tempo quanto antes, tentarei fazer todo o possível para retomar as atividades por aqui. Pois ainda tenho vários rascunhos de postagens que ainda quero fazer e espero vê-las indo ao ar em breve.

Ainda pretendo terminar minha série de artigos sobre a passagem do Conan na Marvel, mas creio que antes de retomar esse projeto, farei algumas resenhas e artigos sobre outros títulos e coisas relacionadas, das quais estou bem animado para falar sobre.

Por exemplo, a campanha no Catarse de “Quill, O Exterminador de Demônios” foi bem-sucedida e creio que todos os apoiadores já receberam seus exemplares, pois eu já estou com o meu.
Então, nada mais justo do que dar a devida atenção a essa HQ nacional e fazer uma resenha aqui na masmorra, não é verdade meus amigos?

Aguardem, pois muito em breve trarei novidades!


sexta-feira, 20 de maio de 2022

Conan deixando a Marvel - Parte I - Analisando os últimos quatro anos

 


  Anos atrás, não me considerava um grande entusiasta de HQs. Lembro bem que foi em 2018, com o anúncio da republicação de "A Espada Selvagem de Conan" em formato capa dura, pela editora Panini Comics, que meu interesse na mídia em questão foi reaceso. 

    Eu não lia uma HQ já fazia mais de dez anos, mas desde 2018 até hoje, em meados de 2022, a situação mudou drasticamente. 
Minha coleção já passa dos quatrocentos itens, indo desde os saudosos formatinhos, até álbuns de luxo e omnibus(es) (esse diabo de palavra tem plural?).

    E foi durante essa mesma época que a Marvel Comics havia readquirido os direitos de publicação das HQs do personagem. Algo que (logicamente) foi motivo de muita conversa entre os fãs do cimério. 
Pois, foi na Marvel onde Conan foi apresentado para tantos leitores ao decorrer dos anos e imortalizado em séries de excelente qualidade. Mas ainda assim, dado o cenário atual do mundo, as HQs sofreram mudanças drásticas em suas narrativas, o que fez muitos fãs ficarem um tanto apreensivos com a volta do bárbaro para a casa das ideias. 

    Particularmente, como eu estava apenas retornando para o universo das HQs, decidi manter a cabeça aberta.
Em primeiro lugar, eu decidi conhecer melhor o trabalho do roteirista encarregado de trazer Conan de volta as páginas da Marvel.
Sr. Jason Aaron, que até então foi aclamado pelo seu run a frente do poderoso Thor. Uma fase que teve seus altos, bem altos, inclusive, e baixos de dar vergonha. 

Mas além do Sr. Aaron, a Marvel também anunciou um lançamento conjunto de um segundo título. Basicamente, um "revival" da magnífica "Espada Selvagem", e com uma proposta que julguei deveras interessante. Já que haveria uma rotação constante de roteiristas e artistas trabalhando no título. 

    Valendo o adendo de que tanto Conan como outros personagens oriundos da mente de Robert E. Howard também tiveram minisséries e aparições em outros títulos um tanto inusitados.

    Tudo isso parece muito legal até agora, mas o que importa de verdade aqui é que essa semana recebemos a notícia de que a Marvel Comics não seria mais detentora dos direitos do bárbaro favorito de todos, e que a Conan Properties International  (CPI daqui em diante) tem a intenção de começar sua própria linha de revistas baseada no universo de Howard.

    Meu intuito com esse artigo é, acima de tudo, fazer uma análise de (quase) tudo que foi publicado pela Marvel referente ao  mundo hiboriano,  nesses quatro anos em que a tanga peluda do cimério enfeitou suas páginas. 
Já ressalto que não li absolutamente tudo que foi lançado personagem durante esse período.  No entanto, pelo menos 80% do que foi publicado já foi devidamente consumido por este que vos escreve. 

    Nessa primeira parte de uma série de artigos que tenciono publicar nas próximas semanas, vamos analisar * SEM (MUITOS) SPOILERS * cada um dos títulos que contou com a ilustre presença de personagens criados por Howard, nesses quatro anos de Marvel Comics.
    Começando, obviamente, com o título principal, "Conan, O Bárbaro" por Jason Aaron e Mahmud Asrar
  
Conan, O Bárbaro - Jason Aaron & Mahmud Asrar (primeira fase)

    A reapresentação do cimério na Marvel foi feita com muitos floreios, já que logo na primeira edição da nova série temos uma página dupla que retrata os saudosos momentos do bárbaro na sua primeira passagem pela editora durante os anos 70.
    Algo que traz a nostalgia e a nos deixa no mindset correto para adentrar ao mundo hiboriano, cheio de brutalidade e de aventuras.
    A arte de Mahmud Asrar funciona muito bem para retratar a violência tão visceral das estórias de Conan, sem falar que a escolha do artista croata, Esad Ribic, como capista para a série não poderia ser mais acertada. Pois, ambas se complementam perfeitamente.

    Falando agora sobre a questão dos roteiros, é aí que a situação já não é tão harmoniosa quanto se espera. O Sr. Jason Aaron se tornou um dos grandes nomes entre os escritores modernos de HQs por bons motivos.  Ele tem uma cadência e peso em seus textos um tanto impares quando comparado aos seus contemporâneos. No entanto, ele tem um hábito que, por vezes, pode ser tido como inusitado por uns e irritante por outros. 
    Trata-se da insistência em quebrar paradigmas dentro do status quo dos personagens com quais ele trabalha, que muitos veem  até como um desrespeito aos mesmos. Por exemplo, tornar Thor, o mais poderoso e honroso dos vingadores, indigno de erguer seu martelo e ainda por cima passar o "título" de deus do trovão para outro personagem, no caso, sua ex-namorada, Jane Foster.
    Um rumo para a estória que foi recebida com divisão entre os fãs, mas, particularmente, a explicação do porque de Thor se tornar indigno e o transcorrer da fase que, obviamente, verá o deus do trovão retornar ao seu devido lugar, foi do meu agrado.
    Apesar do início magnânimo e do final fraquinho, foi uma boa fase, mas nem de longe chega sequer aos pés do seminal run de Walt Simonson no personagem. Comparação essa que é feita constantemente e, na real, apenas não...

    Mas focando em sua fase a frente do título de Conan, Sr. Aaron come bolas quase que imperdoáveis para os fãs antigos do personagem, e por tanto, todo aquele apelativo nostálgico da página dupla na abertura cai por terra.
    É claro que o Sr. Aaron tem um talento imenso para a escrita, mas não consigo deixar de pensar que muitas das decisões editoriais tomadas por ele foram feitas dentro de uma sala de reunião, como um bando de produtores e outros sujeitos da mesma laia que só "retocam" o texto, infelizmente, para muito, mas muito pior.

    Diferente do que foi feito com Thor, aqui não veremos mudanças tão drásticas (a primeira vista) para um novo leitor de Conan, mas para os fãs das antigas (que acredito ter sido o público alvo da nova revista), as inconsistências com as estórias originais são gritantes e, dessa vez sou obrigado a concordar, desrespeitosas não apenas com o personagem, mas com o próprio autor, Robert E. Howard.

    Não vou entrar no mérito das questões sociais e culturais do mundo moderno, mas aplicá-las num mundo fantástico já estabelecido a mais de 70 anos atrás é quase desonesto, a meu ver.
    Sei muito bem que hoje em dia tratar temas como "ódio racial", que era uma constante nas histórias de Conan, pois os cimérios e os pictos eram duas raças distintas que guerreavam por incontáveis gerações, pode ser um tanto arriscado. A temida cultura de cancelamento tá aí e ninguém quer ser pego por ela. Mas na real, por que RAIOS os pictos salvariam, se tornariam aliados e lutariam sob o comando de Conan da ciméria?
    Cacetada, não há outra motivação além da boa e velha "passada de pano" para tornar o personagem mais facilmente consumível para o público mais "frágil" de hoje.

    Sem contar ainda tantas outras pisadas na bola por parte do Sr. Aaron, pois está evidente que ele não é muito familiar com a obra de Howard. Já que seres míticos aparecem em abundância absurda e conceitos já estabelecidos são alterados a seu bel-prazer ou simplesmente ignorados, simples assim.

    Em uma média geral, não recomendo esse run para os fãs mais antigos de Conan. Apesar dos desenhos magníficos, e até mesmo da estória si também, que é ótima. Mas toda a fase é permeada de tropeços e decisões editoriais que, no mínimo, iram perturbar o leitor mais exigente.
    Caso você não conheça Conan e queira uma introdução ao personagem rápida e de fácil acesso, essa fase pode até ser tida como "adequada"(com aspas ENORMES). No entanto, ainda acredito que existam introduções melhores ao mundo hiboriano.

Conclusões:

    Prós :
    *Arte espetacular e estória cativante
    *Cada edição ainda conta com um conto curto no final de cada revista.
    *As cenas de ação e combate são plenas e em grandes proporções.
    *Uma tentativa de escrever uma estória nova para o personagem.

    Contras:
    *A falta de coesão com as histórias originais, beira o amadorismo.
    *Decisões editoriais que em nada contribuem para a estória ou para o personagem.
    *A falta de pesquisa por parte do roteirista é evidente.
   
NOTA FINAL: 3 / 5
    * Na real, ainda acredito que estou sendo generoso com essa nota, pois, fãs mais ávidos do que eu, nem sequer se deram ao trabalho de lê-la.
    Mas os ótimos desenhos e a trama que, apesar dos incontáveis problemas, ainda cativam e tem seu valor aqui e ali.


E é isso aí por ora, na semana que vem volto com mais alguns títulos e veremos se a coisa melhora.
Até lá!

sábado, 7 de maio de 2022

Três Viajantes, por Thiago Tizzot - Muitas promessas, poucos resultados

   Certa vez, me encontrei em um daqueles dias, em um fim de semana onde não havia absolutamente nada para se fazer, o tédio vai te consumindo lentamente e as decisões impulsivas e carentes de pensamento profundo te levam até lugares e situações inusitadas. Naquela ocasião, me peguei fazendo algo que (por razões sólidas) não tenho costume. Assistir vídeos de "booktubers" e buscar recomendações de livros de fantasia, em especial, de autores nacionais.

    Quem acompanha o blog ou me conhece pessoalmente, sabe muito bem que eu tenho gosto um tanto "nichado" e que mesmice pra mim não rola. Portanto, essa minha decisão de recorrer ao Youtube em busca de recomendações já pode ser vista como uma má ideia.

    Depois de passar por vários vídeos de canais diversos, lembro-me de ter chegado até um canal onde uma moça fez algumas sugestões de autores menos conhecidos que traziam em seus respectivos trabalhos os ares de aventura de uma boa partida de RPG.

    Um dos títulos que ela ressaltou foi "Três Viajantes" de Thiago Tizzot, um nome que deve soar familiar para alguns dos leitores. Pois, Sr. Tizzot foi responsável pela coletânea de contos "Crônicas de Espada e Magia", que compilou contos de nomes de peso como George R. R. Martin, Robert E. Howard e Michael Moorcock, até autores mais underground, mas de igual quilate como Karl Edward Wagner. Um trabalho digno de nota, com toda a certeza, mas, tratando-se de "Três Viajantes", a coisa já vai degringolando aos poucos.

    Livro adquirido, leitura iniciada em seguida, problemas começaram a surgir logo nas primeiras páginas. Essa é minha experiência com "Três Viajantes" resumida em apenas uma frase, mas vamos lá, melhor explicar onde quero chegar com mais detalhes.

    "Três Viajantes" é um livro um tanto curto, apenas 139 páginas, portanto, trata-se de uma leitura rápida, ainda mais pelo fato da diagramação do livro ser um tanto parca em cada página, já que há um recuo considerável nas bordas e a fonte utilizada é um pouco maior do que o habitual.

    A arte da capa também é bonita, e apesar de simples, e funciona bem na proposta. E apesar do ar meio "genérico", gosto dos pequenos detalhes presentes. Por exemplo, a arte completa só pode ser vista com o livro físico em mãos, pois ela se alastra para as dobras da capa, bem legal de se ver.

    Agora que já tirei os elogios da frente, vamos aos meus problemas com "Três Viajantes", e cacetada, são vários!
    Vamos por partes...

    Em primeiro lugar, "Três Viajantes" é um livro que não se decide sobre o que quer ser e que não cabe dentro de si mesmo. O que acontece aqui é um caso seríssimo de inchaço no texto, já que temos três protagonistas, um mundo gigantesco e com uma mitologia que expande séculos de história e vários coadjuvantes que não são nada além de "acessórios" para impulsionar os heróis na direção em que a história demanda. Valendo lembrar que não estamos falando de uma grande saga que se expande por vários tomos, mas sim num livro de bolso de 139 páginas.

    Outra coisa que me incomoda são os ditos "protagonistas", já que nenhum deles tem sequer uma mísera característica que seja marcante de forma positiva.
    Para que entendam melhor onde quero chegar, não consigo nem mesmo lembrar os nomes desses personagens, tudo que consegui reter deles foi "mago que fuma", "elfo" e o não menos importante "alquimista que faz par romântico com a coadjuvante do segundo ato", ou como eu preferi chamá-lo "o cara que não é o mago", já que eu passei vários momentos do texto confundindo os dois, já que eles eram tão indistintos um do outro que chegava a ser triste.

    O que nos leva ao terceiro problema gritante aqui, o texto por si só. Eu entendo, estamos falando de um lançamento praticamente independente, MAS CACILDA, cadê a revisão? Quase toda página conta com algum erro de digitação ou coisa similar, que poderiam ter sido facilmente corrigidos durante uma revisãozinha bem singela e simples. No entanto, esse ainda não é o meu maior problema com o texto, mas sim a repetição que permeia página, após página, após página, com informações maçantes e desnecessárias para a história.
    Para ilustrar melhor o que quero dizer, voltemos a um dos nossos carismáticos protagonistas, em específico, o mago fumante. Onde 99% das vezes em que ele aparece, temos de ler "e ele colocou o fumo em seu cachimbo" ou "ele fumava nervosamente seu cachimbo" ou ainda "ele fazia grandes nuvens de fumaça com o seu cachimbo". Não querendo fazer graça, mas esse tipo de artifício textual ficou tão repetitivo durante a leitura que tudo que me passava pela cabeça era "Vixi, esse vai ter câncer". E, sinceramente, que desagradável é ter que ler a cada página a mesmíssima coisa uma vez após a outra, só mudando algumas palavras aqui e ali.
    Esse tipo de artimanha não move a trama para frente, não engaja o leitor e não torna o personagem mais relacionável, apenas torna o texto chato de se ler.

    Vamos à história, onde, basicamente, temos esses três viajantes em busca de um fonte de sabedoria e poder incomparável, mas estão sendo constantemente perseguidos por um déspota que almeja o mesmo objetivo. Após sua fuga alucinada das masmorras do castelo do supracitado vilão, nosso grupo de heróis vai de encontro com uma elfa bibliotecária que lhes aponta a direção onde progredir. Basicamente, o livro se resumi a um constante "vá até lá e faço aquilo e venha até aqui e faça isso". E a conclusão não poderia ser mais anticlimática.

    O que me chateia aqui é o fato de que há sim um mundo interessante em "Três Viajantes", mas este não cabe dentro de 139 páginas!
    De novo, sou obrigado a me repetir, pois, esse é um livro curtinho em que a própria história e o mundo em que ele se situa, não cabem dentro dele!
    A proposta é boa, mas a execução peca em tantos níveis, que, infelizmente, meu interesse em checar mais trabalhos do autor é mínimo.

Comparar esse livro com uma partida de RPG tem sua valia, mas não da maneira que se imagina a priori. Pois, não estamos falando de uma partida épica e bem estruturada, mas sim de uma daquelas em que o mestre não se preparou em nada e está improvisando conforme as coisas vão acontecendo, tornando o jogo cada vez mais desinteressante.

Enfim, falando francamente, existem muitos outros autores nacionais que são dignos de sua atenção. Até creio que outros títulos do Sr. Tizzot podem ser melhores que o livro em questão, mas a verdade absoluta aqui é que "Três Viajantes" não é um bom livro.

    Mesmo assim, se caso ainda houver uma centelha que seja de interesse em você para conferir "Três Viajantes", minhas considerações finais são a seguintes:

    Por ser tão curto, o livro pode ser terminado em um ou dois dias e a despeito de sua tantas falhas, o livro ainda entretém, mesmo que bem pouco, dentro da sua proposta.
    Fica ao seu critério (e risco) encarar essa...

NOTA :  1,2

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Entrevista : Kramp - Uma conversa com Mina Walkure, a voz de uma das grandes promessas do true heavy metal atual


     Nos últimos anos, muitas bandas tem carregado a bandeira do verdadeiro heavy metal com uma paixão que não se via no gênero há muito tempo.
    No mundo todo, esse boom do novo true metal tem revigorado a cena e revelado nomes de peso e que prometem ser dr de fato àqueles que carregaram o heavy metal para o futuro, sem comprometer as raízes do estilo.

    Kramp é um dessas bandas que, ao meu ver, serão tidas como um dos clássicos modernos e que serão responsáveis por perpetuar, não apenas musicalmente, mas também, toda uma questão estética que ainda perdura no gênero.

    Tive a oportunidade de bater um papo com a vocalista e mentora da banda, Mina Walkure, onde conversamos de forma muito bem humorado sobre a história da banda e sua paixão e experiências não apenas como o metal, mas com a espada e feitiçaria.

Boa leitura!

DISCLAIMER: An English version of this interview can be found below, after the portuguese version, you're welcome!

I – Olá Mina, em primeiro lugar, muito obrigado por seu tempo. Conte-nos um pouco sobre a história da Kramp.

 

Eu estava ansiosa para fazer música, e sendo maníaca por metal, a ideia de formar uma banda de heavy metal tradicional virou uma obsessão, hahah.

Alguns anos antes disso, perguntei ao meu irmão se ele queria tocar baixo para participar de outro projeto e foi assim que ele começamos a tocar.

A certa altura, decidi que era hora de formar uma banda do zero, por volta de 2010. Uma banda com minha própria visão, e nós dois começamos a procurar músicos. Não foi uma tarefa fácil, já que nossa cidade é bem pequena (e de mente fechada). Mas conseguimos encontrar alguns membros para começar uma turnê e gravar algumas demos.

Anos depois, estávamos sozinhos novamente, e decidi me mudar para a capital da Espanha, para Madri, para encontrar músicos e continuar trabalhando!

A história da banda é bem longa. hahaha.

Em 2016 lançamos nosso primeiro lançamento oficial: Wield Revenge. E até o final de 2020, nosso primeiro álbum: Gods of Death!

 

II – Quais as suas influências além da música? Que outras coisas lhe fizeram querer convertê-las em heavy metal?

 

Acho que era um pacote completo… Cresci nos anos 90, quando ainda havia uma influência óbvia do metal na mídia. Pelo menos na Espanha, que se atrasou um pouco a festa em termos de cultura pop. hahaha.

Lembro-me, por exemplo, de ter 3 anos e assistir Bikers Mice From Mars, e os personagens parecem ter escolhido suas roupas do armário do Rob Halford! Além do fato de que, ninguém menos que Jeff Scott Soto foi o responsável pela trilha sonora!!!! (quando descobri, estava na minha idade adulta e foi um momento alucinante)

Depois, outras séries populares, como Xena: A princesa guerreira. Aliás, essa pode ser minha primeira influência, na minha infância, para depois ser uma doida do heavy metal épico e armaduras de couro. hahahah.
Mais uma vez, as roupas estavam no ponto, e muito perto de algumas das minhas bandas favoritas, como Omen ou Running Wild!

E a arte… quando eu era adolescente, o ilustrador Luis Royo estava em voga aqui. Você sabe, a escola clássica de Frazetta, mas com seu próprio toque.

Devo admitir que ele é um pouco demais para o meu gosto, mas foi muito impressionante, e sua arte me levou a descobrir outros artistas incríveis desse estilo de fantasia.

 

III – Metal e fantasia estão fundidos desde a sua concepção. Como você vê essa conexão entre os mundos do heavy metal e da fantasia?

 

Bem, na pergunta anterior eu mencionei Frazetta, e de alguma forma acho que ele é o principal culpado do nascimento do heavy metal como estilo musical!!!! Ele é a principal influência da maioria dos ilustradores que marcaram o heavy metal.

Eu sempre gosto de celebrá-lo, mas imagine… sem ele, e suas ilustrações icônicas de Conan, entre outras, bandas como Manowar, não teriam desenvolvido sua imagem.

Ainda por cima, porque seu sobrinho, Ken Kelly, foi mais tarde o autor das artes do Manowar. Além disso, ele fez algumas das obras de arte mais icônicas de todos os tempos, no rock e no metal… KISS, Rainbow…

Além das ilustrações, a fantasia sempre foi um interesse dos maníacos do metal: voltando ao personagem Conan, que inspirou o heavy metal dos quadrinhos, filmes e, claro, dos contos. Ou Michael Moorcock, que trabalhou com bandas como Hawkwind, e muitos outros se inspiraram diretamente em seus nomes (Tygers of Pang Tang, Eternal Champion, etc...), e claro que todo o mundo de J.R. Tolkien deixou uma grande marca em todos os sentidos e subgêneros do metal!

Se formos um pouco além, podemos conectar essa influência da “fantasia” à própria mitologia. Que é um assunto frequentemente usado por bandas para suas letras.

Poderíamos continuar por horas!!!!!

 

IV – O que abriu os seus olhos para o mundo da espada & feitiçaria? Quais os seus autores, filmes ou jogos favoritos?

 

Meu primeiro contato, pelo menos que eu me lembre, foram alguns desenhos como Príncipe Valente, hahaha. Segundo minha mãe, quando criança eu era apaixonada pelo personagem principal, mas vai saber, eu era um ser humaninho muito pequenino, hahaha.

Minhas memórias mais vívida são As Jornadas Lendárias Hércules e Xena: A Princesa Guerreira. Você sabe, não é pura espada e feitiçaria, mas eles se inspiraram na mitologia grega e deram uma reviravolta completa criando um universo inteiro. Foi muito legal assistir!

Um dos jogos que me marcou para sempre nessa área, foi Sacred. Acho que não é super conhecido, mas aos domingos, o jornal dava algumas coisas de graça ou por um dinheirinho extra. Meu pai veio um dia com aquele jogo e eu e meu irmão ficamos obcecados.

O jogo é um Diablo II pobrinho, sejamos honestos, mas quem se importa! Ainda amamos. Era ,uito divertido de jogar. (Curiosidade, teve um Sacred II que foi muito ruim, e Blind Guardian participou da trilha sonora)

Um dos meus favoritos. autores (além, é claro, de Robert E. Howard!!!!) é Fritz Leiber. Eu o descobri ao acaso, porque em um brechó encontrei alguns livros antigos do Conan, além de uma compilação de contos “bárbaros”, muuuuito barato. Caramba, foi uma boa caça ao tesouro, porque esses valem muito hoje em dia. A questão é que, graças a esse livro, descobri muitos autores incríveis, e Leiber era tão diferente!! Seu jeito de escrever é tão foda e punk, hahaha.

Adoro o espírito solene de outros autores, como Howard! Ele inspira aquela vibe poderosa e séria. Mas Leiber é mais caótico, um pouco malandro… Adoro!

E para filmes… oh Crom! Novamente citando Conan. Quem está surpreso até agora!??!?!?!?

Mas a lista pode ser interminável. De produções com qualidade super alta, a pura porcaria da série B, hahaha. Kull: The Conqueror, Dragonheart, Fire And Ice, Black Cauldron, Highlanders, Heavy Metal, Swords of the Barbarians… e assim por diante!

 

V – Além de ser a vocalista na Kramp, você também é responsável pelas artes, certo? Fale um pouco sobre a sua história com a arte e seus artistas favoritos, antigos e novos.

 

Uh! Eu faço toda a arte, sim, incluindo o design do merchandising.

Para ser justa, nunca me considerei boa o suficiente nesse departamento, mas sou uma nerd que adora design gráfico e… precisávamos economizar algum dinheiro para a arte.

No início da minha carreira, precisávamos de pôsteres, logotipos e toda essa merda. E, claro, eu não conhecia ninguém.

Uma das minhas chaves na vida é que, como não tenho as melhores habilidades sociais e não consigo encontrar facilmente pessoas para fazer algumas tarefas, eu resolvo essas tudo sozinha. Às vezes com mais sucesso que outras, hahaha.

Acho que isso ajudou a banda a ter uma identidade e um universo único para si, já que tudo está conectado e vem direto da mesma mente. Incluindo nosso poderoso esqueleto guerreiro, Atapurcio, que aparece em algumas das artes e merchans.

Essa arte vai um pouco além das ilustrações e também reflete em todos os projetos DIY que a banda tem: adereços de palco, cenográfia para vídeos, figurinos…

Minha arte é muito inspirada em Frazetta, Boris Vallejo, Clyde Caldwell, Ken Kelly, Joe Jusko e claro… ANDREAS MARSCHALL!!!!


VI – Kramp faz parte daquilo que tem sido chamado de “nova onda do true heavy metal”, como você vê a ressurgência do true metal ao redor do mundo e quais bandas novas você crê que todos deveríamos conhecer?

 

Adoro ver este som mais forte do que há alguns anos. Quando eu era adolescente, com fome de viver do heavy metal tradicional, eu não encontrava nada além de risadas, porque o gênero estava “desatualizado”. Era difícil encontrar colegas dentro do mesmo nicho, e bandas atuais fazendo o mesmo estilo.

Mas então: BAM, o mundo explodiu com esse movimento.

Bandas não tão jovens, mas algumas que eu adoro são: Blazon Stone, Visigoth, Iron Fate, Wytch Hazel, Evil Invaders… oh, muitos nomes!!


VII – Gods of Death já foi lançado há dois anos, como tem sido a sua recepção? O que podemos esperar para do futuro da Kramp?


A recepção tem sido incrível! Foi lançado em um momento muito arriscado, em plena pandemia, sem nada garantido. Mas você sabe, nós somos filhos da puta bárbaros prontos para correr riscos!!!!!!

Foi incrível do momento zero. Todos pareciam adorar o álbum, e mesmo tendo sido lançado no final do ano, ele conseguiu entrar em muitas listas de “melhores álbuns do ano”. Os discos de vinil esgotaram muito rápido.

A parte triste é que nunca tivemos a oportunidade de fazer uma turnê com este álbum, e isso é uma merda.

Estamos preparando muitas coisas e surpresas para o futuro próximo. Espere algumas mudanças, mas não tenha medo.

A ambição e a paixão crescem a cada dia!!!


VIII – Mina, mais uma vez lhe agradeço a atenção. O espaço é seu para deixar uma mensagem para os fãs brasileiros (e do mundo todo também).

Saudações a todos vocês meus amigos! O Brasil é um país que sempre continua trazendo ótimas bandas e alguns do maníacos mais dedicados que existem!

Fiquem ligados para mais música por vir e UP THE HAMMERS!

 ENGLISH VERSION :

 

I - Hello Mina, first of all thank you very much for your time. Tell us about the history of Kramp.

 

I was eager to make music, and being a metal maniac myself, the idea of forming a traditional heavy metal band became an obssession, hahah.

Some years before that, I asked my brother if he wanted to pick the bass to join another project and that’s how he started to play.

At one point, I decided it was time to form a band from scratches, around 2010 or so. A band with my own vision, and we both started to search for musicians. Not an easy task, since our city is quite small (and close minded). But we managed to find some members to start touring and recording some demos.

Years later, we found ourselves alone again, and I decided to move to the capital of Spain, to Madrid, to find musicians and keep working our asses off!

The history of the band is quite long hahaha.

In 2016 we published our first official release: Wield Revenge. And by the end of 2020, our first album: Gods of Death!


II - What are your Influences beyond music? What other things made you want to "convert" them into heavy metal?

I guess it was a whole package… I grew up in the 90s, when there was still an obvious metal influence in the media. At least in Spain, which was a bit late to the party in terms of pop-culture, hahaha.

I remember, for example, being 3 years old and watching Bikers Mice From Mars, and the characters seem to have picked clothes from Rob Halfords closet! Besides the fact that, none other than Jeff Scott Soto was in charge of the soundtrack!!!! (when I found out, was in my adult years and it was a mindblow moment)

Then other popular issues, like Xena: The Warrior Princess. In fact, that may be my first influence, in my childhood, to later be an epic heavy metal maniac and leather armors hahahah. Again, the outfits were on point, and very close to some of my fav. bands, such as Omen or Running Wild!

And the art… when I was a teenager, the illutrator Luis Royo was on vogue here. You know, classic school of Frazetta, but with his own twist.
I must admit that he’s a bit too much for my taste, but it was very impressive, and his art lead me to discover other amazing artists of that fantasy style.

 

III - Metal and fantasy had been fused since its birth  How do you see the connection between the worlds of heavy metal and fantasy?

Well, in the previous question I mentioned Frazetta, and somehow I think he’s the main guilty of the born of heavy metal as a music style!!!! He is the main influence of most of the illustrators that left a mark in heavy metal.

I always like to celebrate him, but imagine… without him, and his iconic Conan illustrations, among others, bands such as Manowar, would not have developed his image.

More on, because his nephew, Ken Kelly, was later the author of those Manowar artworks. Plus, he did some of the most iconic artworks EVER, in rock and metal… KISS, Rainbow…

Besides illustrations, fantasy was always an interest for metal maniacs: going back to the Conan character, who inspired heavy metal from comics, movies, and of course the tales. Or Michael Moorcock, who worked with bands such as Hawkwind, and many others took direct inspiration for their names (Tygers of Pang Tang, Eternal Champion, etc...), and of course the whole world of J.R. Tolkien left a huge mark in every way and metal subgenre!

If we go a bit beyond, we can connect that “fantasy” influence to mythology itself. Which is a subject often used by bands for their lyrics.

We could go on for hours!!!!!


IV - What opened your eyes for the world of sword & sorcery? Do you have any favorite authors, movies or games?

My first contact, at least that I remember, were some cartoons such as Prince Valiant, hahaha. According to my mother, I was a toodler in love with the main character, but who knows, I was a very tiny human, hahaha.

My most vivid memory are Hercules: the Legendary Journeys, and Xena: The Warrior Princess. You know, it’s not pure sword & sorcery, but they took that inspiration on greek mythology and give a full twist creating a whole universe. It was so cool to watch!

One of the games that marked me forever in that area, was Sacred. I guess is not super known, but on sundays, the newspaper was giving some stuff for free or for little extra money. My father came one day with that game and both, my brother and I, were obssesseeeeed.
The game is a poor Diablo II, let’s be honest, but who cares! We still love it. Very fun to play. (Fun fact, there was a Sacred II that sucked a lot, and Blind Guardian participated on the soundtrack)

One of my fav. authors (besides of course Robert E. Howard!!!!) is Fritz Leiber. I discovered him very randomly, because on a thrift store I found some old Conan books, plus a compilation of “barbarian” tales, sooo cheapppp. Damn, that was a good treasure hunt, because those worth a lot nowadays. The thing is that, thanks to that book, I discovered many awesome authors, and Leiber was so different!! His way of writing is so badass and punk, hahaha.
I love the solemn spirit of other authors, such as Howard! He inspires that mighty serious vibe. But Leiber is more chaotic, a bit rascal… I love it!

And for movies… oh Crom! Again quoting Conan. Who’s surprised so far!??!?!?!?
But the list can be endless. From high productions with super quality, to pure serie B crap, hahaha. Kull: The Conqueror, Dragonheart, Fire And Ice, Black Cauldron, Highlanders, Heavy Metal, Swords of the Barbarians… and it goes on and on! 

 

V- Beyond being the singer for Kramp, you also take care of the art, right? Tells us a little about your history with art and what are some other artists,  new & old, that you admire.

 

Uh! I do all the art, yes, including merch design.
To be fair, I never considered myself good enough on that department, but I’m a nerd who loves graphic design, and… we needed to save some money for the art.

At the beggining of my career, we needed posters, and logos, and all that shit. And of course, I did not know anyone.
One of my keys in life is, that since I don’t have the greatest social skills and can’t easily find people to do some tasks, I jump in and solve those myself. Sometimes with more success than others, hahaha.

I think that helped the band to have a unique identity and universe for itself, since everything is connected and comes straight from the same mind. Including our mighty skeleton warrior, Atapurcio, who is featured in some artworks and merch.
This art goes a bit beyond illustrations and also reflects on all the DIY projects that the band has: stage props, costume designs for videos, outfits…

My art is very much inspired by Frazetta, Boris Vallejo, Clyde Caldwell, Ken Kelly, Joe Jusko and of course… ANDREAS MARSCHALL!!!!

VI - Kramp is part of has been called the "new wave of true heavy metal", how do you see this ressurgence of true metal around the world and what new bands do you believe everyone should check out?

I love seeing this sound stronger than some years ago. When I was a teenager, hungry to make a living out of traditional heavy metal, I found nothing but laughs around, because the genre was “outdated”. It was hard to find collegues within the same niche, and current bands doing the same style.

But then: BAM, the world exploded with this movement.

Not so young bands, but some that I love are: Blazon Stone, Visigoth, Iron Fate, Wytch Hazel, Evil Invaders… o many names!! 

 

VII - Gods of Death has been out for around two years now, how has the reception for it been?
What can we expect for Kramp's future?

The reception has been amazing! It was released in a very risky moment, in the middle of the pandemic, with nothing assured. But you know, we are barbarians motherfuckers ready to take risks!!!!!!

It was amazing from momento zero. Everyone seemed to love the álbum, and even though it was released by the end of the year, it managed to sneak into many lists of “best albums of the year”. Vinyls sold out pretty quick.

The sad part, is that we never had the opportunity to tour with this álbum, and that sucks.

We’re preparing many things and surprises for the near future. Expect some changes, but don’t be scared.
The ambition and passion grows every day!!!

 

VIII- Mina, thank you very much once again.
The space is yours to leave a message for the Brazilian fans (and fans worldwide too).

Greetings to you, my fellow friends!! Brazil is a country that always keeps bringing great bands and some of the most dedicated metal maniacs out there!!!

Stay tuned for more music to come, and UP THE HAMMERS!


 Para conhecer mais sobre Kramp, confiram os links abaixo:

Ouça Gods of Death AQUI
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